17.8.09

Festa da Boa Morte em Cachoeira, Bahia




No dia 15 de agosto a igreja católica celebra a Assunção de Maria, que "ao concluir o curso de sua vida terrena, foi arrebatada em corpo e alma para a glória celestial."(Papa Pio XII).

Em Cachoeira, cidade distante 111 km de Salvador, durante 3 dias é celebrada a Boa Morte. “Ela não morreu, subiu ao céu de corpo e alma. Por isso, é dia de tirar o manto de luto e festejar a Boa Morte” explicam as senhoras da Irmandade da Boa Morte. “É uma tradição católica”, dizem, sorrindo, apesar das indumentárias, do samba-de-roda e das comidas típicas, que deixam claro a influência do candomblé. A festa atrai turistas de todo o mundo.(Correio da Bahia)

A Irmandade da Boa Morte é de mulheres negras, senhoras de mais de 50 anos. A perseguição aos negros e a proibição de seus rituais em Salvador os fez se refugiarem em Cachoeira, um lindo recanto a beira do rio Paraguaçu, lugar considerado o berço do candomblé e da capoeira no Brasil.

Neste sábado fomos com um grupo de amigos à festa. Um dia espetacular, com cores, sons e sabores fortes, de muita alegria e gente exótica de todo canto.



A cidade de Cachoeira na Bahia é patrimônio cultural da humanidade com construções do século XVII, casarões, casinhas coloridas e belas igrejas.



A Festa da Boa Morte lota a cidade de devotos e turistas, por todos os cantos se ouve música e som de atabaques e berimbau. Os restaurantes e bares colocam mesas na rua e servem comidas típicas como a feijoada baiana (que é preparada com feijão mulatinho), acarajé, maniçoba (parecida com a feijoada, mas em vez do feijão vai folhas de mandioca, é uma delícia!), e outros acepipes típicos.



Pelas ruas barracas de lembranças, de doces, de artesanato atraem os visitantes, também os museus e galerias da cidade mostram a arte do lugar. Em vários pontos da cidade grupos jogando capoeira fazem as rodas e o som de vozes e berimbau com o gingado dos corpos são um show a parte.


As pessoas que circulam pela cidade são outra atração que chama nosso olhar, gente de todas as cores, de várias partes do mundo, se ouve muitas linguas, todos numa celebração da vida.

O ponto alto da festa é a procissão que sai depois da missa. Na frente do andor de Nossa Senhora das Graças saem as velhas baianas da Irmandade da Boa Morte vestidas de preto com xale vermelho e cheias de colares e pulseiras douradas, carregando bouquets de flores.



a missa e a saida do andor

Aí é um tumulto geral, as pessoas correndo para seguir a procissão num aglomerado confuso, a banda tocando, fotografos, reporteres, todos se acotovelando para ver e fotografar as baianas da Irmandade e a imagem no andor.

a imagem de Nossa Senhora das Graças no andor na procissão


Eu, com minha camera, me embrenhei no meio do povo, atravessei pelo meio da banda, entrei embaixo do andor, corri atrás das baianas, fiz tudo que um turista faz. Foi emocionante, o calor do tempo e o calor das pessoas misturado era um ambiente surreal.

Depois da procissão as pessoas vão para as praças e bares, é hora das rodas de samba e de dançar, a festa vai noite afora, a cidade toda se transforma num enorme terreiro de candomblé, mas nós tínhamos que voltar, não deu pra ver a festa da noite. Porém antes de voltarmos demos uma parada numa praça onde um grupo tocava, cantava e dançava, dançamos também.



Nossa amiga Elizete dançando com Nino, ela que organizou nosso passeio com um grupo muito divertido.


É meio complicado dançar na grama que ainda por cima era inclinada, mas demos nossos passinhos!

O rio Paraguaçu, de um lado a cidade de Cachoeira e do lado de lá a cidade de São Felix com as casinhas coloridas no morro, um presépio.

Um dia e tanto! Lindo lugar, gente interessante, amigos, musica, dança, e o mistério das baianas da Boa Morte.


o cartaz do evento

3 comentários:

Logunwa Erin Epega disse...

Feijoada baiana é preparada com feijão mulatinho!

Mirian disse...

Muito legal seu Blog Jussara!!!


beijos

Anônimo disse...

Aprendi muito