21.2.11

o que que a baiana tem?

baiana e seu tabuleiro em Amaralina
além do acarajé tem abará, cocada e bolinho de estudante

No ano passado as barracas das praias de Salvador que foram arrancadas deixando na mão proprietários, funcionários, frequentadores de praia e turistas. Nada foi planejado, nada foi feito até agora, as barracas foram arrancadas com trator em abril de 2010, já vai fazer 1 ano e as praias estão cada vez pior com lixo espalhado na areia, sem fiscalização e sem qualquer projeto para arrumar a situação.
Bem, este foi um assunto que tratei num outro post aqui se quiser se lembrar olha lá.
Agora outra notícia: vão proibir as baianas e seus tabuleiros nas praias!
Para quem não sabe, nunca veio à Bahia e não comeu acarajé eu vou contar.

baiana servindo o acarajé

O acarajé é um bolinho feito com massa de feijão fradinho, cebola, alho e gengibre (atenção: essa massa não precisa de refrigeração, as baianas preparam todos os dias), na frente do freguês a baiana frita o bolinho no óleo com um pouco de azeite de dendê, parte e coloca o recheio que a pessoa quiser, tem pimenta, vatapá (um creme com peixe, camarão seco, castanha, leite de côco), carurú (quiabo com camarão seco), salada (que é tomate, cebola e pimentão picadinhos) e por último uma porção generosa de camarão. O acarajé deve ser comido na hora que acabou de fritar, é crocante, delicioso.

esse aí que estou segurando é o acarajé da Cira de Itapuã, para mim o melhor

O tabuleiro da baiana era antes carregado na cabeça e elas montavam sobre um cavalete em qualquer lugar, mas já há muitos anos a prefeitura legalizou a atividade das baianas e elas tem que cumprir regras de higiene e cada uma tem seu ponto para atender, algumas tem grandes barracas como a Cira, a Dinha, a Regina, a Tânia, são algumas das mais famosas, tem até na saída do aeroporto, lá são duas barracas que servem até acarajés embalados em isopor para viagem, já levei acarajé para São Paulo várias vezes.

mini acarajés e com vatapá, carurú, camarão e salada

Também em restaurantes típicos de comida baiana são servidos acarajés em tamanho pequeno e os acompanhamentos vem separados, este aí é do 'Sorriso da Dadá' no Pelourinho. (tem gente que vai ficar com saudade...)

praia de Piatã num domingo de fevereiro 2011

praia de Piatã dia 2 de fevereiro as 5 horas da tarde

A nossa praia mudou de cara, os donos das antigas barracas agora montam e desmontam a sua tenda todos os dias, esse ombrelone da foto é da barraca Oxalá, que era assim:




Sob grandes ombrelones a gente podia comer carangueijo, agulha frita, lambreta e muito mais, e claro, cerveja bem gelada, róskas de frutas típicas daqui, água de côco... Acabou tudo, hoje não dá para tomar cerveja gelada com gelo no isopor e a comida que sabe lá de onde vem, antes podia-se escolher a barraca pela cozinha, dava para ver como preparavam a comida.
E então sobraram as baianas e seus tabuleiros nas praias... até quando não se sabe.
Há anos as baianas servem acarajé nas ruas e nas praias, o que deu agora para mudar assim de repente?
A alegação é de que não se pode comercializar na areia da praia porque é propriedade da Marinha. Mas pelo que conheço e já viajei, nas praias do Brasil de Norte a Sul tem gente vendendo comida e bebida, vende-se de tudo nas praias. O que a gente pode ver agora sem as barracas nas praias de Salvador é a sujeira que está ficando na areia, tem gente que leva isopor - o farofeiro mesmo - e deixa o lixo, não é capaz de levar um saquinho para juntar a sujeira que fez. Também não existe fiscalização e as lixeiras que tem na praia são pequenas. Quer dizer, não existe nenhum projeto no sentido de proporcionar o bom uso da praia e o cuidado com ela. Falta educação, falta informação, e tem aqueles que não estão nem ai.
Tanta coisa para ser feita, cuidar das praias nesta cidade turística linda, colocar regras e fiscalização, policiamento, isso não fazem, vão querer mexer com as baianas que estão trabalhando legalmente.
Enfim, nesse país não se sabe de onde saem as determinações, ainda mais de uma coisa assim como as baianas. Elas são patrimônio nacional, sabia?

"Foi oficializado o Dia da Baiana de Acarajé, que já era comemorado há treze anos no calendário de homenagens da Bahia, no dia 25 de novembro.
A baiana de acarajé é uma figura símbolo da Bahia e uma forma de afirmação da identidade cultural de um povo. Segundo a Revista de História da Biblioteca Nacional, as primeiras baianas de acarajé foram africanas, escravas alforriadas, ainda na época do Brasil Colônia. O acarajé, na sua origem só poderia ser vendido pelas filhas de santo de Iansã (Santa Bárbara, no sincretismo entre o catolicismo e o candomblé). A massa de bolinho de feijão fradinho, cebola e sal, frita no azeite de dendê - era feita no próprio terreiro de onde a baiana saia com todas as obrigações a serem cumpridas a seu Orixá.
Atualmente, a venda do acarajé tornou-se importante fonte de renda. As barracas tornaram-se locais de atração turística, sem necessariamente terem ligação com o candomblé.
O trabalho das baianas de acarajé foi registrado, em 2005, como Patrimônio Cultural imaterial do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional do Ministério da Cultura (Iphan). O acarajé também foi reconhecido como Patrimônio Cultural de Salvador pela Câmara Municipal." daqui

O que que a baiana tem?
Ela faz quitutes gostosos, trabalha, e querem tirar isso dela.

olha aqui, caiu um lenço... vem aqui... deixa eu falar baixinho: ouvi que tem empresas estrangeiras com projeto para uniformizar as barracas das praias, vão trocar as baianas pelo fast food

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6 comentários:

Suzy disse...

Não creio, Ju! Quer dizer que quando eu finalmente for conhecer a Bahia, corro o risco de não conhecer as famosas baianas com seus tabuleirros de acarajé?
Pois é, com tanta coisa para consertar, vão implicar com quem está trabalhando.
Eu "garro um ódio" disso!
bjs

Lu Saharov disse...

Hum...acarajé...que delícia!!!!Pois diga para as baianas daí se mudarem pra cá, pro sul...Vão ficar milionárias!!!! E aqui em Rio Grande, a padroeira da cidade também é Yemanjá! Tudo a ver, não acha?
Beijos salivando.....

Allan Robert P. J. disse...

Juju,

Já achava um absurdo o que fizeram com as barracas (bahiano vai pra praia pra comer e beber). Proibir as baianas é aberração!

Na Europa, onde existe um controle rigoroso sobre a alimentação pública (bares, restaurantes, hotéis, escolas, hospitais, etc.), a comida típica servida na rua é permitida. Em Salvador existe até um sindicato das baianas de acarajé que promove até cursos sobre higiene alimentar. Mesmo durante a "epidemia" de cólera nenhum caso foi registrado por contaminação da comida dos tabuleiros. Só falta proibirem as festas de largo.

PS - a zona costeira é "de marinha". Os militares nada tem a ver com isso. :)

Renata disse...

Oi,conheci seu blog hoje,ao contrario de vc,sou baiana e moro em Sp....Menina estive ai no carnaval, muita coisa precisa mudar aí ainda,amooooo,amoooo mesmo minha Bahia,e não me conformo com muitas injustiças,como as citadas por vc acima.E concordo plenamente,o acarajé de Cira não tem igualll,que vontade de comer acarajé!!!!!!!!

Anônimo disse...

OI Gente sou Bahiana e vivo em Espanha,A me logicamente me parece uma locura tirar as Bahianas da praia elas sempre foram e será sucesso na minha terra,Eu vou rezar muito a DEUS para que Salvador Bahia siga sempre assim de belo.Agora essa lei de campeonato no Brasil vai ser uma zorra e ademas vai mundar muitas coisas que nos nao queremos em todo brasil,digamos temos que estar preparado para essa politica de merda.muito obrigado a todos,muita saude,paz e amor

Larissa Banister disse...

Juju eu preciso parar de ver seu blog! Faz pelo menos umas 3 horas que estou por aqui rs rs. Primeiro fiquei revoltada com isso, como pode a Bahia sem as baianas? Fiquei morrendo de vontade de viajar para o Brasil e mostrar ao marido inglês essa terra linda onde vc mora, viagem certa para 2012. Beijos, agora eu vou malhar kkkkk =*****